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    28 maart

    O menino que me leva

    O MENINO QUE ME LEVA...  por pe fábio de melo, scj.  13/3/2007 as 09:05
    
    O desenho de nuvens é sempre um encanto diante dos olhos de quem ainda não
    cresceu demais. Infância resguardada, e que não impede a maturidade. Apenas um
    detalhe de criancice preservada; coisa que não faz diferença na somatória final
    que nos confere responsabilidade.
    Tenho descoberto um menino escondido em meu corpo crescido. Vem quando menos
    imagino; e vem querendo ficar.
    O desassossego é próprio dos tempos de transição. Há tantas felicidades do outro
    lado da ponte, mas antes é preciso a travessia. Mas eu não tenho direito de
    esperar por felicidade alguma. Travessia também é lugar de felicidade. Aprendi a
    duras penas. Pena que por vezes me esqueço.
    Eu não quero esquecer tantas coisas, mas eis que vem o menino e rabisca minha
    agenda e me convida para uma vagabundagem inocente. A chuva caindo lá fora, e
    ele gritando aqui dentro de mim, pedindo pra eu retirar os sapatos, correr na
    chuva e colocar na enxurrada, barquinhos de papel.
    Esse menino não tem jeito, mas é ele que dá jeito em mim. Quando a vida fica
    dura demais para ser enfrentada, ele me presenteia com um jeito engraçado de ver
    os fatos. Aí eu rio e durmo sem os medos que me acordaram no meio da noite.
    A vida é assim. Quando o adulto não suporta o peso há sempre um menino
    escondido, pronto para nos ajudar a continuar.
    Eu continuo, mas continuo porque há um menino me conduzindo, não me deixando
    desistir. Ele me conduz pela mão...
    20 maart

    bush...

    Bush vai a 1 colégio na periferia de SP p/ falar sobre a guerra. Após o discurso, ele diz às crianças p/ perguntar qq coisa a ele.
    1 menino levanta a mão. Bush pergunta seu nome:
    - Pedrinho.
    - E qual é a pergunta?
    - Tenho 3.
    1ª: Pq os EUA invadiram o Iraque s/ o apoio da ONU?
    2ª: Pq o senhor é presidente se Al Gore teve + votos?
    3ª: O que aconteceu c/ Bin Laden?
    Qdo Bush se preparava p/ responder, o sinal do recreio tocou. Bush disse às crianças que continuariam depois do intervalo. E qdo acaba, Bush pergunta:
    - Onde estávamos? Ah sim! Nas perguntas. Alguém quer me
    perguntar alguma coisa?
    Outro menino levanta a mão. George pergunta como ele se chama.
    - João.
    - E qual é sua pergunta?
    - Tenho 5 perguntas:
    1ª, 2ª e 3ª são as mesmas do Pedrinho.
    4ª: Pq o sinal do recreio tocou 20 minutos antes?
    5ª: Cadê o Pedrinho?

    É dia de audiência...

    Dia da audiência... E a testemunha?

    Em algumas horas estarei diante de um juiz! Trata-se de uma ação trabalhista que movi contra uma empresa, isso após ter trabalhado 45 dias e não ter recebido um vintém. É duro... Tenho várias provas que realmente trabalhei, porém o advogado quer "testemunhas". Caramba! Ligo para várias pessoas, mas e o medo, ou mesmo até a falta de vontade de estar alí, diante de um juiz, incomoda.

    Mas, reconheço, é culpa minha! Afinal só fui me dar conta de convidar as pessoas no próprio dia da audiência. Isso já é um ótimo motivo para receber um não. "Ah! Se tivesse me avisado antes, eu até iria", foi a resposta mais ouvida, mesmo que não haja nenhum compromisso, agora passa existir.

    Bem... Vou ao encontro do juiz, da sentença.... Mas me pergunto: cadê as testemunhas?

    18 maart

    Para as mulheres...

    Mês de março: mês das mulheres...
    Encontrei um texto fantástico de uma amiga... Trata-se das "Inspirações de Giulia", por "Rubia Rigamont"

    Cotidiano do Beija Flor

    Dia de grande excitação e bizarra emoção no dia da consulta médica mais especial da vida feminina pois interpretamos naturalidade com maestria de grandes gurus da dramaturgia, dia de ir ao ginecologista. Fiquei tão feliz por conseguir aquela consulta, foi assim liguei e uma abençoada havia cancelado seu horário.

    Aguardei anciosa que as horas passassem e me dirigi ao consultório, intimamente sorria e soltava gritinhos. Enfim estava diante do médico e ele fez todas as perguntas que deveria e então “ Mas o que te trouxe aqui?” “Nada de especial, só o periódico”.

    Nesse momento vocês se perguntam “Então porque essa autora louca que eu tanto gosto estava tão anciosa?”, E ao mesmo tempo que você conclui esse raciocícnio, as perguntas da consulta evolui e chegamos ao ápice quando ele anota na minha ficha: Sexualmente Ativa.

    Gente, isso é tudo... sou moça simples e preciso de pouco para ser feliz, apenas o médico registrar isso no papel me faz acreditar que é verdade. E sai da consulta com o jeito de andar e a cara de mulher bem assistida, e isso então passa a ser verdade absoluta.

    Para que o que o médico escreveu faça sentido ( até que essa situação mude do mundo imaginário de Gigi ), eu não preciso suar, gemer, gritar. O que compôe vida sexual ativa?

    - Não ser virgem,  ter feito pelo menos uma vez para saber a seqüência, amsi de uma vez para ter vivido outras boas versões de seqüências;

    - Desejar alguém e ser desejada por alguém, não considerado Brad Pitt ou Angelina Jolie alguém, máximo aceitável platonismo mútuo;

    - Sempre usar lingerie interessante, como se esse alguém pudesse te prender no elevador a qualquer momento;

    - Sorriso no lábios;

    - Pele iluminada;

    - Depilação O.K;

    - Ar de mistério sem exageros, é importante que quem te cerca ache que você tem intimidade.

    Então está feito, pronto, vida sexual ativa. Jogue os quadris enquanto anda, devolva olhares profundos e beije na boca.

    Uma bela flor rodeada de beija-flores, bem escrito por Tobias Barreto:

    ... Vede-a lá: tímida, esquiva...
    Que boca! é a flor mais viva,
    Que agora está no jardim;
    Mordendo a polpa dos lábios
    Como quem suga o ressábio
    Dos beijos de um querubim!
     
    Nem viu que as auras gemeram,
    E os ramos estremeceram
    Quando um pouco ali se ergueu...
    Nos alvos dentes, viçosa,
    Parte o talo de uma rosa,
    Que docemente colheu. ...

     

    E nem percebe o ruído incômodo da tal solidão, e enfeita o cotidiano de uma balzaquiana charmosa, e nem percebe que os passarinhos apenas rodeiam, e nem permite que a ansiedade lhe faça mal, E realiza com alegria seu trabalho e cativa com carinho seus amigos. E percebe que tem amor, e que esse amor não tem pressa de chegar.  E recebe com um sorriso nos lábios todo o bem que lhe dedicam e é feliz no seu mundo que se consolida.

    E nem percebe que aguarda tranquilamente quando o beija-lor irá se aproximar.  Termina com Tobias Barreto:

    ... Forte luta, luta incrível

    Por um beijo! É impossível

    Dizer tudo o que se deu.

    Tanta coisa, que se esquece

    Na vida!  Mas me parece

    Que o passarinho venceu! ...

     

    Conheço a moça franzina

    Que a fronte cândida inclina

    Ao sopro de casto amor:

    Seu rosto fica mais lindo,

    Quando ela conta sorrindo

    A história do beija-flor.

            

            

    10 februari

    PAC e o fim do indivíduo

    O PAC e o fim do indivíduo

    Sérgio Pires

    O tal PAC (Programa de Aceleração de Crescimento), lançado recentemente pelo governo Lula, ainda não sabemos de que forma irá interferir diretamente em nossas vidas, pois há anos vemos promessas de que o Brasil está em fase de desenvolvimento, mesmo estando há anos com uma taxa de desenvolvimento anual de 4% a 6%, atrás de muitos países que ainda estão na mesma situação, como os latinos americanos e muitos países africanos e do leste europeu.

    O tal do PAC no papel pode contemplar praticamente todas as áreas sociais, prevendo inclusive repasse de verbas para diversas pastas governamentais. Mas na verdade não passe simplesmente de mais um nome de um projeto, assim como outros tantos que já aconteceram no passado, como: Plano Funaro, Plano Cruzado I, Cruzado II, Plano Collor, Plano Real... E infelizmente ainda veremos dezenas de nomes.

    Mas em todos os planos, nenhum contempla talvez o que seja o mais importante para o eleitor: a ética. Em tempos de corrupção, de mensalinhos a mensalões, a ética talvez seja o mais importante. Pois já não confiamos mais em ninguém, se tememos ir às ruas até a padaria para comprar pão, imagine então em um político?

    É realmente o fim da picada! Pior que isso é a violência, como o garoto de seis anos, que foi morto ao ser arrastado preso por um cinto de segurança por um bando de imbecis que se diziam assaltante. Não quero entrar em detalhes do crime, apenas cito a deterioração completa de nossa sociedade. Hoje mesmo também li na Folha de São Paulo que um rapaz decapitou a própria mãe. O tal sujeito ainda ficou oito dias com o corpo escondido no apartamento. Ao ser preso ainda firmou que teve uma visão de mãe o devorando, por isso a matou. Isso é... Lamentável.

    Antes de ter o tal PAC, deveria ter um programa especifico para o desenvolvimento do indivíduo, que está se perdendo... Uma nação sem o “indivíduo” não tem nenhuma identidade, e deixa de ser uma verdadeira nação. Enquanto isso, ainda iremos assistir não a degradação social, mas a deterioração do ser humano, que é muito pior.

    29 januari

    Pitangui lá vou eu...

    Aqui estou preparando a trilha sonora para a viagem a Pitangui (MG). Bom, terá: Dead Can Dance, Dire Straits, Replacements, Radiohead, foo fithers e até mesmo... Aline Barros, entre outras cozitas mais...
    Inté...
    22 januari

    Critica do filme Diamante de Sangue

    Critica - Diamante de Sangue

    Serra Leoa, final da década de 90. O país está em plena guerra civil, com conflitos constantes entre o governo e a Força Unida Revolucionária (FUR). Quando uma tropa da FUR invade uma aldeia da etnia Mende, o pescador Solomon Vandy (Djimon Hounson) é separado de sua família.  Solomon é preso e vira escravo nas minas onde acha um diamante de 100 quilates e vai para cadeia logo em seguida. Ao chegar lá, encontra Danny Archer (Leonardo DiCaprio), um ex-mercenário nascido no Zimbábue que se dedica a contrabandear diamantes para a Libéria. Ao deixar a prisão Danny faz com que Solomon também saia, propondo-lhe um trato: que ele mostre onde o diamante está escondido, em troca de ajuda para que possa encontrar sua família. Solomon não acredita em Danny mas, sem saída, aceita o acordo.

    Existem em comum entre "DIAMANTE DE SANGUE" e "HOTEL RUANDA" e "O JARDINEIRO FIEL". ntes de vê-lo tinha receio de assistir o filme de Edward Zwick (diretor), pois ele poderia exagerar na visão de um homem ocidental sobre a África, fato que felizmente não ocorre. O cinismo e as razões do contrabandeador de pedras preciosas interpretado por DiCaprio não são deixados de lado em momento algum. Simplesmente a jornada para a qual ele é levado o faz ver a sua África e o mundo de maneira diferente."

    20 januari

    poesia

    Nadador
    Cecília Meireles

     
    O que me encanta é a linha alada
    das tuas espáduas, e a curva
    que descreves, passáro da água!
     
    É a tua fina, ágil cintura,
    e esse adeus da tua garganta
    para cemitérios de espuma!
     
    É a despedida, que me encanta,
    quando te desprendes ao vento,
    fiel à queda, rápida e branda
     
    E apenas por estar prevendo,
    longe, na eternidade da água,
    sobreviver teu movimento...
    08 januari

    O que estou ouvindo

    Depois de três semanas com Kirk Francklin chegou a hora de mudar. Tirei da estante o CD do Ride, uma banda inglesa dos anos 90. Esta música, marcou uma época de minha vida. Este é o segundo álbum da banda de pouca duração.
    Enjoy!
    05 januari

    Qual foi a sua primeira do ano?

    A primeira do ano

    Acredito que na semana passada (a última de 2006) havia uma ansiedade no ar na expectativa do ano novo. Isso porque é uma época em que todas as pessoas fazem várias projeções, planos, promessas, etc. Pois bem, a primeira semana do ano já está indo embora e, para muitos não mudou muita coisa não, inclusive para mim, aliás, não vi nenhuma diferença (pelo menos por enquanto) a não ser: quando joguei o calendário de 2006 no lixo; quando troquei minha agenda de 2006 (em branco) pela de 2007 e quando peguei na caixinha do correio de casa o IPVA de 2007. Hum... Aí sim cai na real, chegou 2007!

    Depois dessas boas vindas de 2007 dada pelo Governo do Estado, vi que nada mudou, quer dizer, mudou sim: uma conta nova e com reajustes. “É a primeira do ano”, pensei.

    Então resolvi escolher as primeiras do ano, vou escolher as coisas boas: o primeiro cd a escutar inteiro: Whitesnake, Slide in; o primeiro dvd de 2007: Roger Waters, in the flesh (show fantástico). Meu... Nada nacional, então me lembrei que na virada do ano participei de um lual onde cantei (até parece): Legião Urbana, Milton Nascimento, Elis Regina, Raul... Agora só não lembro qual foi a primeira, mas tudo bem.

    No cinema o primeiro filme foi Eragon (ridículo). Já que estou procurando trampo, o primeiro currículo enviado foi para Rede Globo (he he he...), então percebi... Realmente o ano não começou, pois ainda faltam muitas, mas muitas primeiras a serem dadas em 2007, pois ainda estou elaborando a minha lista das primeiras de 2007.

    04 januari

    A história do jornalismo e suas impressões

    Fim do Jornal mais antigo do mundo
     
    O jornal mais antigo do Mundo, o `Post Och Inrikes Tidningar', da
    Suécia, editado pela primeira vez em 1645, deixa de ser impresso e
    passa a ser publicado apenas `on-line', desde o dia 01 de janeiro.
    Suécia - O `Post Och Inrikes Tidningar' foi criado em 1645
    Jornal mais antigo cessa impressão
    Durante 361 anos o diário chegou fielmente às mãos dos seus leitores,
    mas a partir de amanhã já não estará nos pontos habituais de venda mas
    sim na internet. Graças às novas tecnologias o `Post Och In-rikes
    Tidningar' será o primeiro jornal a prescindir do papel e a estar
    disponível apenas na `web'.
    O jornal, criado pela Academia Real de Letras da Suécia em 1645, foi,
    durante toda a sua existência, o diário oficial dos anúncios do
    governo, de empresas e de comunicações de falências. A World
    Association of Newspapers reconhece o periódico como o mais antigo do
    Mundo em actividade.
    A publicação anunciou quinta- -feira, na sua página na internet, que
    "a partir de 1 de Janeiro de 2007" já não estará disponível nas bancas
    e quiosques suecos mas que os seus fiéis leitores poderão consultá-lo
    nos computadores e outros dispositivos electrónicos, através do `site'
    da Secretaria Sueca de Registos de Empresas (SCRO).
    Roland Hoglund, presidente da SCRO, não considera negativo o
    encerramento da publicação mais antiga do Mundo. "É apaixonante, mas
    também é uma importante tarefa, já que o jornal desempenhou um papel
    extremamente importante no que respeita a informação institucional",
    revelou à agência noticiosa sueca TT. "Será muito mais acessível",
    salientou.
    Apesar da adesão total às novas tecnologias, três cópias do `Post Och
    Inrikes Tidningar' serão impressas em papel e enviadas às bibliotecas
    das universidades para manter viva uma tradição de mais de três
    séculos e meio.
     
    'AÇORIANO ORIENTAL'
     
    O `Açoriano Oriental' é o jornal mais antigo de Portugal e está entre
    os dez mais `velhos' do Mundo. Foi fundado por Manuel António de
    Vasconcelos a 18 de Abril de 1835, num período que corresponde a um
    momento áureo do jornalismo a nível nacional e internacional. Quatro
    meses antes do aparecimento da publicação tinha sido promulgada a
    primeira lei de liberdade de Imprensa em Portugal.
     
    CURIOSIDADES
     
    O imperador Júlio César foi o mentor do primeiro jornal e, desde
    então, muitas datas marcaram a Imprensa mundial.
     
    59 a.C. – `Acta Diurna' é publicado em Roma. Júlio César ordena que os
    principais eventos políticos e sociais do dia sejam anunciados.
     
    1040 – O chinês Pi Sheng inventa a Imprensa usando blocos móveis de
    madeira.
     
    1447 – Johann Gutenberg inventa a prensa de impressão, processo que
    viria possibilitar a produção em massa da palavra impressa.
     
    1501 – O Papa Alexandre VI decreta que os impressos terão de ser
    submetidos à autoridade eclesiástica antes da sua publicação, a fim de
    impedir heresias.
     
    1556 – O governo veneziano publica `Notizie Scritte, jornal mensal
    pelo qual os leitores pagavam uma `gazetta', ou pequena moeda.
     
    1621 – Em Londres é publicado o primeiro jornal com título, o `Corante'.
     
    1631 – Fundação da `Gazette', primeiro jornal francês.
     
    1690 – `Publick Occurrences' é o primeiro jornal publicado na América,
    (Boston). As autoridades reais proibiram-no logo após a primeira edição.
     
    1704 – Daniel Defoe, autor de `Robinson Crusoe', reconhecido como o
    primeiro jornalista do Mundo, inicia a publicação de `Review.
     
    1798 – Alois Sedenfelder inventa a Litografia. Embora inventada mais
    de dois séculos antes, a litografia em `off-set' tornou-se popular nos
    anos 1960, constituindo o padrão da indústria hoje em dia.
     
    1835 – É editado o `Açoriano Oriental', o primeiro jornal português.
     
    1844 – Invenção do telégrafo.
     
    1851 – Fundação da agência Reuters.
     
    1880 – Aparecem as primeiras fotografias em jornal.
     
    1903 – Alfred Harmsworth (posteriormente Lorde Northcliffe) cria o
    primeiro jornal em forma de tablóide, o `Daily Mirror', em Londres.
     
    1994 – Surge o primeiro diário independente `on-line' na internet.
     
     
    21 december

    O corvo e suas traduções (Fernando Pessoa)

    O Corvo

    Tradução de Fernando Pessoa - 1924

     
    Numa meia-noite agreste, quando eu lia, lento e triste,
    Vagos, curiosos tomos de ciências ancestrais,
    E já quase adormecia, ouvi o que parecia
    O som de algúem que batia levemente a meus umbrais.
    "Uma visita", eu me disse, "está batendo a meus umbrais.

     

    É só isto, e nada mais."
    Ah, que bem disso me lembro! Era no frio dezembro,
    E o fogo, morrendo negro, urdia sombras desiguais.
    Como eu qu'ria a madrugada, toda a noite aos livros dada
    P'ra esquecer (em vão!) a amada, hoje entre hostes celestiais -
    Essa cujo nome sabem as hostes celestiais,

     

    Mas sem nome aqui jamais!
    Como, a tremer frio e frouxo, cada reposteiro roxo
    Me incutia, urdia estranhos terrores nunca antes tais!
    Mas, a mim mesmo infundido força, eu ia repetindo,
    "É uma visita pedindo entrada aqui em meus umbrais;
    Uma visita tardia pede entrada em meus umbrais.

     

    É só isto, e nada mais".
    E, mais forte num instante, já nem tardo ou hesitante,
    "Senhor", eu disse, "ou senhora, decerto me desculpais;
    Mas eu ia adormecendo, quando viestes batendo,
    Tão levemente batendo, batendo por meus umbrais,
    Que mal ouvi..." E abri largos, franqueando-os, meus umbrais.

     

    Noite, noite e nada mais.
    A treva enorme fitando, fiquei perdido receando,
    Dúbio e tais sonhos sonhando que os ninguém sonhou iguais.
    Mas a noite era infinita, a paz profunda e maldita,
    E a única palavra dita foi um nome cheio de ais -
    Eu o disse, o nome dela, e o eco disse aos meus ais.

     

    Isso só e nada mais.
    Para dentro então volvendo, toda a alma em mim ardendo,
    Não tardou que ouvisse novo som batendo mais e mais.
    "Por certo", disse eu, "aquela bulha é na minha janela.
    Vamos ver o que está nela, e o que são estes sinais."
    Meu coração se distraía pesquisando estes sinais.

     

    "É o vento, e nada mais."
    Abri então a vidraça, e eis que, com muita negaça,
    Entrou grave e nobre um corvo dos bons tempos ancestrais.
    Não fez nenhum cumprimento, não parou nem um momento,
    Mas com ar solene e lento pousou sobre os meus umbrais,
    Num alvo busto de Atena que há por sobre meus umbrais,

     

    Foi, pousou, e nada mais.
    E esta ave estranha e escura fez sorrir minha amargura
    Com o solene decoro de seus ares rituais.
    "Tens o aspecto tosquiado", disse eu, "mas de nobre e ousado,
    Ó velho corvo emigrado lá das trevas infernais!
    Dize-me qual o teu nome lá nas trevas infernais."

     

    Disse o corvo, "Nunca mais".
    Pasmei de ouvir este raro pássaro falar tão claro,
    Inda que pouco sentido tivessem palavras tais.
    Mas deve ser concedido que ninguém terá havido
    Que uma ave tenha tido pousada nos meus umbrais,
    Ave ou bicho sobre o busto que há por sobre seus umbrais,

     

    Com o nome "Nunca mais".
    Mas o corvo, sobre o busto, nada mais dissera, augusto,
    Que essa frase, qual se nela a alma lhe ficasse em ais.
    Nem mais voz nem movimento fez, e eu, em meu pensamento
    Perdido, murmurei lento, "Amigo, sonhos - mortais
    Todos - todos já se foram. Amanhã também te vais".

     

    Disse o corvo, "Nunca mais".
    A alma súbito movida por frase tão bem cabida,
    "Por certo", disse eu, "são estas vozes usuais,
    Aprendeu-as de algum dono, que a desgraça e o abandono
    Seguiram até que o entono da alma se quebrou em ais,
    E o bordão de desesp'rança de seu canto cheio de ais

     

    Era este "Nunca mais".
    Mas, fazendo inda a ave escura sorrir a minha amargura,
    Sentei-me defronte dela, do alvo busto e meus umbrais;
    E, enterrado na cadeira, pensei de muita maneira
    Que qu'ria esta ave agoureia dos maus tempos ancestrais,
    Esta ave negra e agoureira dos maus tempos ancestrais,

     

    Com aquele "Nunca mais".
    Comigo isto discorrendo, mas nem sílaba dizendo
    À ave que na minha alma cravava os olhos fatais,
    Isto e mais ia cismando, a cabeça reclinando
    No veludo onde a luz punha vagas sobras desiguais,
    Naquele veludo onde ela, entre as sobras desiguais,

     

    Reclinar-se-á nunca mais!
    Fez-se então o ar mais denso, como cheio dum incenso
    Que anjos dessem, cujos leves passos soam musicais.
    "Maldito!", a mim disse, "deu-te Deus, por anjos concedeu-te
    O esquecimento; valeu-te. Toma-o, esquece, com teus ais,
    O nome da que não esqueces, e que faz esses teus ais!"

     

    Disse o corvo, "Nunca mais".
    "Profeta", disse eu, "profeta - ou demônio ou ave preta!
    Fosse diabo ou tempestade quem te trouxe a meus umbrais,
    A este luto e este degredo, a esta noite e este segredo,
    A esta casa de ância e medo, dize a esta alma a quem atrais
    Se há um bálsamo longínquo para esta alma a quem atrais!

     

    Disse o corvo, "Nunca mais".
    "Profeta", disse eu, "profeta - ou demônio ou ave preta!
    Pelo Deus ante quem ambos somos fracos e mortais.
    Dize a esta alma entristecida se no Éden de outra vida
    Verá essa hoje perdida entre hostes celestiais,
    Essa cujo nome sabem as hostes celestiais!"

     

    Disse o corvo, "Nunca mais".
    "Que esse grito nos aparte, ave ou diabo!", eu disse. "Parte!
    Torna á noite e à tempestade! Torna às trevas infernais!
    Não deixes pena que ateste a mentira que disseste!
    Minha solidão me reste! Tira-te de meus umbrais!
    Tira o vulto de meu peito e a sombra de meus umbrais!"

     

    Disse o corvo, "Nunca mais".
    E o corvo, na noite infinda, está ainda, está ainda
    No alvo busto de Atena que há por sobre os meus umbrais.
    Seu olhar tem a medonha cor de um demônio que sonha,
    E a luz lança-lhe a tristonha sombra no chão há mais e mais,

     

    Libertar-se-á... nunca mais!

     

    O corvo e suas traduções (Machado de Assis)

    O Corvo

    Tradução de Machado de Assis - 1883

     

    Em certo dia, à hora, à hora
    Da meia-noite que apavora,
    Eu, caindo de sono e exausto de fadiga,
    Ao pé de muita lauda antiga,
    De uma velha doutrina agora morta,
    Ia pensando, quando ouvi à porta
    Do meu quarto um soar devagarinho
    E disse estas tais palavras:
    "É alguém que me bate à porta de mansinho;
    Há de ser isso e nada mais."

     

    Ah! bem me lembro! bem me lembro!
    Era no glacial dezembro;
    Cada brasa do lar sobre o colchão refletia
    A sua última agonia.
    Eu ansioso pelo Sol, buscava
    Sacar daqueles livros que estudava
    Repouso (em vão!) à dor esmagadora
    Destas saudades imortais
    Pela que ora nos céus anjos chamam Lenora,
    E que ninguém chamará mais.

     

    E o rumor triste, vago, brando
    Das cortinas ia acordando
    Dentro em meu coração um rumor não sabido,
    Nunca por ele padecido.
    Enfim, por aplacá-lo aqui, no peito,
    Levantei-me de pronto, e "Com efeito,
    (Disse) é visita amiga e retardada
    Que bate a estas horas tais.
    É visita que pede à minha porta entrada:
    Há de ser isso e nada mais."

     

    Minh'alma então sentiu-se forte;
    Não mais vacilo, e desta sorte
    Falo: "Imploro de vós - ou senhor ou senhora,
    Me desculpeis tanta demora.
    Mas como eu, precisando de descanso
    Já cochilava, e tão de manso e manso,
    Batestes, não fui logo, prestemente,
    Certificar-me que aí estais."
    Disse; a porta escancaro, acho a noite somente,
    somente a noite, e nada mais.

     

    Com longo olhar escruto a sombra
    Que me amedronta, que me assombra.
    E sonho o que nenhum mortal há já sonhado,
    Mas o silêncio amplo e calado,
    Calado fica; a quietação quieta;
    Só tu, palavra única e dileta,
    Lenora, tu, como um suspiro escasso,
    Da minha triste boca sais;
    E o eco, que te ouviu, murmurou-te no espaço;
    Foi isso apenas, nada mais.

     

    Entro co'a alma incendiada.
    Logo depois outra pancada
    Soa um pouco mais forte; eu, voltando-me a ela:
    "Seguramente, há na janela
    Alguma coisa que sussurra. Abramos,
    Eia, fora o temor, eia, vejamos
    A explicação do caso misterioso
    Dessas duas pancadas tais,
    Devolvamos a paz ao coração medroso,
    Obra do vento, e nada mais."

     

    Abro a janela, e de repente,
    Vejo tumultuosamente
    Um nobre corvo entrar, digno de antigos dias.
    Não despendeu em cortesias
    Um minuto, um instante. Tinha o aspecto
    de um lord ou de uma lady. E pronto e reto,
    Movendo no ar as suas negras alas,
    Acima voa dos portais,
    Trepa, no alto da porta em um busto de Palas:
    Trepado fica, e nada mais.

     

    Diante da ave feia e escura,
    Naquela rígida postura,
    Com o gosto severo, - o triste pensamento
    Sorriu-me ali por um momento,
    E eu disse: "Ó tu que das noturnas plagas
    Vens, embora a cabeça nua tragas,
    Sem topete, não és ave medrosa,
    Dize os teus nomes senhoriais;
    Como te chamas tu na grande noite umbrosa?"
    E o corvo disse: "Nunca mais."

     

    Vendo que o pássaro entendia
    A pergunta que eu lhe fazia,
    Fico atônito, embora a resposta que dera
    Dificilmente lha entendera.
    Na verdade, jamais homem há visto
    Coisa na terra semelhante a isto:
    Uma ave negra, friamente posta
    Num busto, acima dos portais,
    Ouvir uma pergunta a dizer em resposta
    Que este é seu nome: "Nunca mais."

     

    No entanto, o corvo solitário
    Não teve outro vocabulário.
    Como se essa palavra escassa que ali disse
    Toda sua alma resumisse,
    Nenhuma outra proferiu, nenhuma.
    Não chegou a mexer uma só pluma,
    Até que eu murmurei: "Perdi outrora
    "Tantos amigos tão leais!
    "Perderei também este em regressando a aurora."
    E o corvo disse: "Nunca mais."

     

    Estremeço. A resposta ouvida
    É tão exata! é tão cabida!
    "Certamente, digo eu, essa é toda a ciência
    Que ele trouxe da convivência
    De algum mestre infeliz e acabrunhado
    Que o implacável destino há castigado
    Tão tenaz, tão sem pausa, nem fadiga,
    Que dos seus cantos usuais
    Só lhe ficou, na amarga e última cantiga,
    Esse estribilho: "Nunca mais."

     

    Segunda vez nesse momento
    Sorriu-me o triste pensamento;
    Vou sentar-me defronte ao corvo magro e rudo;
    E, mergulhando no veludo
    Da poltrona que eu mesmo ali trouxera,
    Achar procuro a lúgubre quimera,
    A alma, o sentido, o pávido segredo
    Daquelas sílabas fatais,
    Entender o que quis dizer a ave do medo
    Grasnando a frase: "Nunca mais."

     

    Assim posto, devaneando,
    Meditando, conjeturando,
    Não lhe falava mais; mas, se lhe não falava,
    Sentia o olhar que me abrasava.
    Conjeturando fui, tranqüilo, a gosto,
    Com a cabeça no macio encosto
    Onde os raios da lâmpada caíam,
    Onde as tranças angelicais
    De outra cabeça outrora ali se desparziam
    E agora não se esparzem mais.

     

    Supus então que o ar, mais denso,
    Todo se enchia de um incenso,
    Obra de serafins que, pelo chão roçando
    Do quarto, estavam meneando
    Um ligeiro turíbulo invisível:
    E eu exclamei então: "Um Deus sensível
    Manda repouso à dor que te devora
    Destas saudades imortais.
    Eia, esquece, eia, olvida essa extinta Lenora."
    E o corvo disse: "Nunca mais."

     

    "Profeta, ou o que quer que sejas!
    Ave ou demônio que negrejas!
    Profeta sempre, escuta: Ou venhas tu do inferno
    Onde reside o mal eterno,
    Ou simplesmente náufrago escapado
    Venhas do temporal que te há lançado
    Nesta casa onde o Horror, o Horror profundo
    Tem os seus lares triunfais,
    Dize-me: existe acaso um bálsamo no mundo?"
    E o corvo disse: "Nunca mais."

     

    "Profeta, ou o que quer que sejas!
    Ave ou demônio que negrejas!
    Profeta sempre, escuta, atende, escuta, atende!
    Por esse céu que além se estende,
    Pelo Deus que ambos adoramos, fala,
    Dize a esta alma se é dado inda escutá-la
    No Éden celeste a virgem que ela chora
    Nestes retiros sepulcrais,
    "Essa que ora nos céus anjos chamam Lenora!"
    E o corvo disse: "Nunca mais."

     

    "Ave ou demônio que negrejas!
    Profeta, ou o que quer que sejas!
    Cessa, ai, cessa! (clamei, levantando-me) cessa!
    Regressando ao temporal, regressa
    À tua noite, deixa-me comigo...
    Vai-te, não fique no meu casto abrigo
    Pluma que lembre essa mentira tua.
    Tira-me ao peito essas fatais
    Garras que abrindo vão a minha dor já crua."
    E o corvo disse: "Nunca mais."

     

    E o corvo aí fica; ei-lo trepado
    No branco mármore lavrado
    Da antiga Palas; ei-lo imutável, ferrenho.
    Parece, ao ver-lhe o duro cenho,
    Um demônio sonhando. A luz caída
    Do lampião sobre a ave aborrecida
    No chão espraia a triste sombra; e fora
    Daquelas linhas funerais
    Que flutuam no chão, a minha alma que chora
    Não sai mais, nunca, nunca mais!

    O Corvo e suas traduções

    Galera, este foi um e-mail que recebi do jornalista e amigo Sylvio Micelli e, tinha que postar aqui, é muito legal.
     

    The Raven
    (Edgar Allan Poe, first published in 1845)

     
    Once upon a midnight dreary, while I pondered, weak and weary,
    Over many a quaint and curious volume of forgotten lore,
    While I nodded, nearly napping, suddenly there came a tapping,
    As of someone gently rapping, rapping at my chamber door.
    " 'Tis some visitor," I muttered, "tapping at my chamber door;

     

    Only this, and nothing more."

     

    Ah, distinctly I remember, it was in the bleak December,
    And each separate dying ember wrought its ghost upon the floor.
    Eagerly I wished the morrow; vainly I had sought to borrow
    From my books surcease of sorrow, sorrow for the lost Lenore,.
    For the rare and radiant maiden whom the angels name Lenore,

     

    Nameless here forevermore.

     

    And the silken sad uncertain rustling of each purple curtain
    Thrilled me---filled me with fantastic terrors never felt before;
    So that now, to still the beating of my heart, I stood repeating,
    " 'Tis some visitor entreating entrance at my chamber door,
    Some late visitor entreating entrance at my chamber door.

     

    This it is, and nothing more."

     

    Presently my soul grew stronger; hesitating then no longer,
    "Sir," said I, "or madam, truly your forgiveness I implore;
    But the fact is, I was napping, and so gently you came rapping,
    And so faintly you came tapping, tapping at my chamber door,
    That I scarce was sure I heard you." Here I opened wide the door;---

     

    Darkness there, and nothing more.

     

    Deep into the darkness peering, long I stood there, wondering, fearing
    Doubting, dreaming dreams no mortals ever dared to dream before;
    But the silence was unbroken, and the stillness gave no token,
    And the only word there spoken was the whispered word,
    Lenore?, This I whispered, and an echo murmured back the word,

     

    "Lenore!" Merely this, and nothing more.

     

    Back into the chamber turning, all my soul within me burning,
    Soon again I heard a tapping, something louder than before,
    "Surely," said I, "surely, that is something at my window lattice.
    Let me see, then, what thereat is, and this mystery explore.
    Let my heart be still a moment, and this mystery explore.

     

    " 'Tis the wind, and nothing more."

     

    Open here I flung the shutter, when, with many a flirt and flutter,
    In there stepped a stately raven, of the saintly days of yore.
    Not the least obeisance made he; not a minute stopped or stayed he;
    But with mien of lord or lady, perched above my chamber door.
    Perched upon a bust of Pallas, just above my chamber door,

     

    Perched, and sat, and nothing more.

     

    Then this ebony bird beguiling my sad fancy into smiling,
    By the grave and stern decorum of the countenance it wore,
    "Though thy crest be shorn and shaven thou," I said, "art sure no craven,
    Ghastly, grim, and ancient raven, wandering from the nightly shore.
    Tell me what the lordly name is on the Night's Plutonian shore."

     

    Quoth the raven, "Nevermore."

     

    Much I marvelled this ungainly fowl to hear discourse so plainly,
    Though its answer little meaning, little relevancy bore;
    For we cannot help agreeing that no living human being
    Ever yet was blessed with seeing bird above his chamber door,
    Bird or beast upon the sculptured bust above his chamber door,

     

    With such name as "Nevermore."

     

    But the raven, sitting lonely on that placid bust, spoke only
    That one word, as if his soul in that one word he did outpour.
    Nothing further then he uttered; not a feather then he fluttered;
    Till I scarcely more than muttered,"Other friends have flown before;
    On the morrow he will leave me, as my hopes have flown before."

     

    Then the bird said,"Nevermore."

     

    Startled at the stillness broken by reply so aptly spoken,
    "Doubtless," said I, "what it utters is its only stock and store,
    Caught from some unhappy master, whom unmerciful disaster
    Followed fast and followed faster, till his songs one burden bore,---
    Till the dirges of his hope that melancholy burden bore

     

    Of "Never---nevermore."

     

    But the raven still beguiling all my fancy into smiling,
    Straight I wheeled a cushioned seat in front of bird and bust and door;,
    Then, upon the velvet sinking, I betook myself to linking
    Fancy unto fancy, thinking what this ominous bird of yore,
    What this grim, ungainly, ghastly, gaunt, and ominous bird of yore

     

    Meant in croaking, "Nevermore."

     

    Thus I sat engaged in guessing, but no syllable expressing
    To the fowl, whose fiery eyes now burned into my bosom's core;
    This and more I sat divining, with my head at ease reclining
    On the cushion's velvet lining that the lamplight gloated o'er,
    But whose velvet violet lining with the lamplight gloating o'er

     

    She shall press, ah, nevermore!

     

    Then, methought, the air grew denser, perfumed from an unseen censer
    Swung by seraphim whose footfalls tinkled on the tufted floor.
    "Wretch," I cried, "thy God hath lent thee -- by these angels he hath
    Sent thee respite---respite and nepenthe from thy memories of Lenore!
    Quaff, O quaff this kind nepenthe, and forget this lost Lenore!"

     

    Quoth the raven, "Nevermore!"

     

    "Prophet!" said I, "thing of evil!--prophet still, if bird or devil!
    Whether tempter sent, or whether tempest tossed thee here ashore,
    Desolate, yet all undaunted, on this desert land enchanted--
    On this home by horror haunted--tell me truly, I implore:
    Is there--is there balm in Gilead?--tell me--tell me I implore!"

     

    Quoth the raven, "Nevermore."

     

    "Prophet!" said I, "thing of evil--prophet still, if bird or devil!
    By that heaven that bends above us--by that God we both adore--
    Tell this soul with sorrow laden, if, within the distant Aidenn,
    It shall clasp a sainted maiden, whom the angels name Lenore---
    Clasp a rare and radiant maiden, whom the angels name Lenore?

     

    Quoth the raven, "Nevermore."

     

    "Be that word our sign of parting, bird or fiend!" I shrieked, upstarting--
    "Get thee back into the tempest and the Night's Plutonian shore!
    Leave no black plume as a token of that lie thy soul spoken!
    Leave my loneliness unbroken! -- quit the bust above my door!
    Take thy beak from out my heart, and take thy form from off my door!"

     

    Quoth the raven, "Nevermore."

     

    And the raven, never flitting, still is sitting, still is sitting
    On the pallid bust of Pallas just above my chamber door;
    And his eyes have all the seeming of a demon's that is dreaming.
    And the lamplight o'er him streaming throws his shadow on the floor;
    And my soul from out that shadow that lies floating on the floor

     

    Shall be lifted--- nevermore!

    20 december

    O alimento

    O Alimento
     
    Perdidas entre a mesa
    Estão as cadeiras
    Perdidas nas cadeiras
    Estão as pessoas
     
    Elas sentam nas cadeiras
    E ficam paradas
    Mas as pessoas se movimentam na mesa
    Que também fica parada
     
    Os pratos ficam em cima da mesa
    Mas não ficam parados
    Debaixo das cadeiras estão os pés
    Que também não ficam parados
     
    Mexendo ficam as bocas
    Parados estão os dentes dentro dela
    Na verdade todos estão parados
    No canibalismo em volta da mesa
    Menos o alimento
     
    Sérgio Pires

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    Poesia

    Uma letra de Renato Russo "Barcos", escrita em 22 de agosto de 1993. (Dia do meu aniversário).
    Enjoy!
    11 december

    Poesia

    Estrela perigosa
    Clarice Lispector
     
    Estrela perigosa
    Rosto ao vento
    Marulho e silêncio
    leve porcelana
    templo submerso
    trigo e vinho
    tristeza de coisa vivida
    árvores já floresceram
    o sal trazido pelo vento
    conhecimento por encantação
    esqueleto de idéias
    ora pro nobis
    Decompor a luz
    mistério de estrelas
    paixão pela exatidão
    caça aos vagalumes.
    Vagalume é como orvalho
    Diálogos que disfarçam conflitos por explodir
    Ela pode ser venenosa como às vezes o cogumelo é.
     
    No obscuro erotismo de vida cheia
    nodosas raízes.
    Missa negra, feiticeiros.
    Na proximidade de fontes,
    lagos e cachoeiras
    braços e pernas e olhos,
    todos mortos se misturam e clamam por vida.
    Sinto a falta dele
    como se me faltasse um dente na frente:
    excrucitante.
    Que medo alegre,
    o de te esperar.

    Conc(s)ertos

    Putz! É terrível ficar sem computador, principlamente quando se tem um monte de coisas para fazer nesse objeto moderno, que o culpam de trazer desemprego e ao mesmo tempo mais condições de vidas as pessoas. No conserto há mais de 20 dias, o danado faz uma falta danada. Não posso procurar emprego enviando currículos; não posso enviar e muito menos receber e-mails; não posso escrever verdades e muito menos mentiras sinceras, através de contos, poesias ou até mesmo crônicas; Não posso baixar músicas e aquele tão desejado álbum do metálica, um concerto ao vivo, com orchestra e tal.
     Restam então as Lan Houses, que acolhem pessoas como eu entre outros.